Apresentação


Este site se ocupará da "arte de aprender".

Transcrevo três parágrafos do meu livro Uma Nova Educação para uma Nova Era, que está no prelo [Julho 2003]:

Seymour Papert, num memorável capítulo intitulado “Uma Palavra para Aprender” (“A Word for Learning”) de seu livro The Children’s Machine: Rethinking School in the Age of the Computer [pp. 82-105] pergunta por que não existe, em nossas línguas (Inglês, Francês, Português), uma palavra para a arte de aprender – da mesma forma que existe para a “arte de ensinar”. A palavradidática” se refere à arte de ensinar. Na disciplina Didática se discutem os métodos e as técnicas que o professor deve usar para produzir um ensino eficaz (que produz aprendizagem) e eficiente (que o faz com uma quantidade otimizada de recursos). Mas não temos uma palavra equivalente que se refira à “arte de aprender”. Alguém que queira “aprender a aprender”, recorre a que disciplina? Existem, nos cursos ministrados nas Faculdades de Educação, inúmeras disciplinas de Didática, Planejamento do Ensino, Metodologia de Ensino, Avaliação do Ensino... Tudo ensino, ensino, ensino... Tudo voltado para o professor... Tudo voltado para a transmissão eficiente do saber sistematizado (organizado em disciplinas), da herança cultural da sociedade ou da humanidade... Pelo professor, para o aluno... [cp. pp.82-83]

É verdade que as Faculdades de Educação oferecem disciplinas de Teorias da Aprendizagem (em geral teorias psicológicas). Mas essas teorias estão longe de abordar a “arte de aprenderrelevante para seres humanos. Algumas dessas teorias descrevem como ratos e pombos aprendem – sugerindo que suas descobertas podem ajudar as crianças a aprender melhor... Mesmo teorias que enfatizam o fato de que o conhecimento precisa serconstruídopelo aluno e não absorvido “pronto e empacotado”, às vezes procuram convencer os professores da necessidade de adotarem umensino construtivista” , voltado para a criação de ambientes em que as crianças possam “construir o conhecimento” – pouco dizendo sobre como é que, de fato, se constrói esse conhecimento... [cp. p.83] É o aluno, não o professor, que precisa construir, e é a aprendizagem do aluno, não o ensino do professor, que precisa ser construída – e construir a sua aprendizagem é, para o aluno, equivalente a desenvolver as competências e habilidades necessárias para que ele seja capaz de definir e transformar em realidade o seu projeto de vida.

Papert sugere o termo “matética” ["mathetics] para se referir à arte da aprendizagem. O termo é derivado do verbo grego que significa “aprender” (como didática é derivado do verbo grego que significa “ensinar”). O termo “matética” tem aspectos em comum com o termoheurística”, que se refere à arte da descoberta intelectual [cp. pp.84-85]. As Faculdades de Educação fariam bem em mudar sua ênfase da transmissão de conteúdos disciplinares para o desenvolvimento de competências e habilidades, do ensino para a aprendizagem, daquilo que os professores devem fazer para ensinar bem para aquilo que os alunos devem fazer para aprender bem... e como os professores podem ajudá-los! Em outras palavras, a escola de que precisamos é uma escola centrada no desenvolvimento de competências e habilidades, na aprendizagem (que é a expansão de nossas capacidades, isto é, de nossas competências e habilidades) e no aluno, que é quem aprende – e que deve ser o ator principal na escola, o protagonista de sua aprendizagem, de sua educação, de sua vida.

Fim da citação do meu livro. Leia (links ao lado) um resumo da posição de Papert e uma exposição minha sobre modelos de aprendizagem. .

Desejando, visite meu portal: http://chaves.com.br.


Eduardo Chaves
eduardo@chaves.com.br
Campinas, Julho de 2003